Instituto Pensar - Com Pazuello sob fritura, Bolsonaro busca 4º ministro da Saúde

Com Pazuello sob fritura, Bolsonaro busca 4º ministro da Saúde

por: Eduardo Pinheiro 


O ministro da saúde, Eduardo Pazuello ? (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Assim como ocorreu com os demais chefes da Saúde, o governo de Jair Bolsonaro iniciou no domingo (14) o processo de "fritura? pública do general da ativa, Eduardo Pazuello, para que ele deixei o comando da pasta. Após a pior semana da pandemia de Covid-19 no Brasil, a pressão para o seu afastamento estaria sendo provocada principalmente por deputados do Centrão, que pleiteiam mudança no comando do ministério alegando sua má gestão.

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Ainda no domingo, depois de jornais noticiarem que Pazuello deixaria o posto por problemas de saúde, o assessor especial do ministério, Markinho Show, logo desmentiu a informação. "Não estou doente, não entreguei o meu cargo e o presidente não o pediu, mas o entregarei assim que o presidente solicitar. Sigo como ministro da saúde no combate ao coronavírus e salvando mais vidas?, escreveu no Twitter, atribuindo as aspas ao próprio Pazuello.

Ao que tudo indica, o ministro está com um pé fora da pasta, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ainda não encontrou um substituto para o general. Pessoas próximas ao presidente, no entanto, já entraram em contato com dois médicos cardiologistas cotados para substituir Pazuello: Ludhmila Abrahão Hajjar, professora associada da USP, e Marcelo Queiroga, presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia. 

Ludhmila chegou a ser recebida neste domingo por Bolsonaro no Palácio da Planalto. Em nota, o Ministério das Comunicações confirmou o encontro, que teria sido de aproximação entre o presidente e a médica.

Ludhmila e a cloroquina

Médica do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que já a convidou para comandar a Secretaria de Saúde, Ludhmila Hajjar, 42, teve Pazuello como um de seus pacientes com Covid-19, além dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Gilmar Mendes, os deputados Arthur Lira (PP-AL), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Hildo Rocha (MDB-MA).

Em "campanha? pela profissional, o presidente da Câmara, Lira utilizou sua conta oficial no Twitter no domingo para elogiar a médica durante especulações sobre a fritura do general. "Coloquei os atributos necessários para o bom desempenho à frente da pandemia: capacidade técnica e de diálogo político com os inúmeros entes federativos e instâncias técnicas. São exatamente as qualidades que enxergo na doutora Ludhmila?, escreveu Lira.

Defensora da necessidade de vacinação urgente, ela participou de estudos que desmentiram a eficácia de algumas drogas e apoia o isolamento social. Ludhmila também é crítica do negacionismo e já alertou publicamente sobre os riscos do uso da hidroxicloroquina contra a Covid-19. Também já declarou que a pandemia de coronavírus "se trata com ciência, não com ideologia? em entrevista à Jovem Pan, em novembro passado.

Por esses motivos, apoiadores de Bolsonaro começara a atacá-la nas redes sociais, citando o fato de a médica defender posicionamentos que são consenso na comunidade científica. A militância bolsonarista também resgatou trechos de uma live em que a médica é elogiada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Aos jornais, Ludhmila já anunciou que não deverá aceitar o posto, caso o convite ainda chegue.

Dr. Luizinho

O deputado federal Luiz Antônio Teixeira Jr, o doutor Luizinho (PP-RJ), também está entre os cotados para assumir o cargo de ministro da Saúde. Conhecido como "guru? da Câmara para a Covid-19, o parlamentar é correligionário de Arthur Lira, é presidente da Comissão de Seguridade Social e Família e coordenador da Comissão Externa da Câmara dos Deputados de Enfrentamento à Covid-19.

Além disso, por ser gestor público, Dr. Luizinho conhece o SUS, e tem bom trânsito no governo federal, no Congresso e nos Estados. O que evitaria repetir problemas da gestão Nelson Teich, com pouco conhecimento do SUS em uma hora crucial.

Outros nomes devem surgir durante o processo de fritura, mas está clara a tentativa de Bolsonaro de limpar sua imagem de negacionista. Sob a gestão de Pazuello, curvado aos seus comandos, o presidente estava livre para defender drogas sem comprovação, ir contra o isolamento e atacar vacinas. As consequências, no entanto, foram desastrosas.

CPI da Pandemia

A fritura de Pazuello começou na manhã do último sábado, quando a cúpula do Congresso se reuniu na residência oficial do presidente do Senado, senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para discutir a proclamação da PEC do auxílio emergencial.

Participaram da reunião o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira; os líderes do governo no Senado, senador Fernando Bezerra (MDB-PE); na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR); e no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO). A conversa derivou para a crise sanitária e a situação politicamente insustentável de Pazuello no Congresso, apesar de todas as oportunidades que o ministro teve explicar a situação e oferecer alternativas convincentes de combate à pandemia aos deputados.

Com Pazuello no Ministério da Saúde, será praticamente impossível para o governo evitar a instalação da chamada CPI da Pandemia, ainda mais durante o pior momento da crise sanitária. Na última semana, o país bateu o recorde de mortes durante 3 dias seguidos. Já são 278.229 óbitos pela doença desde o início da pandemia, sendo 12mil apenas na última semana.

Com informações do jornal O Globo, Folha de S.Paulo e UOL




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